O Sistema de Conciliação (Sistcon) do TRF4 promoveu, nesta quinta-feira (25/26), a terceira edição de 2026 do Diálogos em Mediação com o tema “Justiça Sem Barreiras: Inclusão, Acessibilidade e Conciliação na Justiça Federal”. O encontro foi realizado de forma virtual e teve como painelista a juíza federal e mediadora Melina Faucz Kletemberg, da 2ª Vara Federal de Santo Ângelo.
A magistrada destacou que a proposta do encontro era estimular a reflexão sobre o atendimento às pessoas com deficiência, especialmente nos espaços de conciliação. Segundo Melina, a discussão surgiu a partir de estudos sobre avaliação biopsicossocial e da necessidade de conciliadores e integrantes do Judiciário estarem preparados para oferecer um atendimento adequado e inclusivo.
“Será que a gente como conciliador está preparado para atender as pessoas com deficiência? Será que a gente consegue dar um bom atendimento?”, questionou a juíza, reforçando a importância da formação e do diálogo permanente sobre o tema.
O encontro reuniu magistrados e servidores envolvidos em ações de acessibilidade e inclusão na Justiça Federal da 4ª Região, além de profissionais que atuam com conciliação, mediação e justiça restaurativa. Durante a programação, foram apresentados instrumentos desenvolvidos pelo TRF4 para fortalecer práticas inclusivas, como a Cartilha de Letramento em Direitos Humanos e o Guia de Atendimento Inclusivo.
A servidora Juliana Mayer Goulart explicou que os materiais foram construídos para auxiliar na sensibilização e no atendimento ao público, reunindo orientações sobre direitos humanos, diversidade, inclusão e prevenção de discriminações. O guia, desenvolvido posteriormente, busca oferecer respostas práticas para situações do cotidiano dos servidores.
Durante o debate, integrantes das Comissões de Acessibilidade e Inclusão destacaram que a inclusão depende não apenas de adaptações físicas e tecnológicas, mas também da construção de uma cultura institucional. O juiz federal Eduardo Kahler Ribeiro ressaltou que o trabalho das comissões envolve propor, orientar e acompanhar ações para eliminar barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência, tanto no público interno quanto externo da Justiça Federal.
As experiências práticas também foram destaque. A servidora Keiti Vera Formighieri, conciliadora e pessoa com deficiência, ressaltou a importância de ouvir a pessoa atendida e respeitar sua autonomia, evitando pressupor quais são suas necessidades.
Já a servidora Leidiane Gularte, do Sistcon/TRF4, compartilhou uma experiência pessoal como pessoa com deficiência visual total e destacou que cada atendimento deve considerar as particularidades de cada indivíduo. “Cada pessoa é uma pessoa. Às vezes, o que funciona para mim não vai funcionar para outra pessoa”, afirmou Leidiane, defendendo que o atendimento inclusivo deve partir da escuta e da busca por alternativas que garantam autonomia.
A servidora Carla Rosana Penteado também reforçou que muitas deficiências não são perceptíveis e que o atendimento deve ser conduzido com naturalidade, respeito e espaço para que a própria pessoa indique como prefere ser auxiliada.
Ao final, os participantes destacaram que a construção de uma Justiça mais acessível exige formação, escuta e revisão constante das práticas institucionais. Para Melina, encontros como o Diálogos em Mediação contribuem para fortalecer uma atuação judicial mais inclusiva e preparada para acolher diferentes realidades.
Acesse o Guia de Atendimento Inclusivo
Acesse a cartilha Letramento em DH JFRS

O encontro aconteceu por videoconferência (Foto: Sistcon/TRF4)

